A língua e seus usos: painel de encerramento da Fliporto 2015

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Da língua de Camões, seus usos e práticas por Pasquale Cipro Neto

Na palestra de encerramento da 11a Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), o linguista Pasquale Cipro Neto brindou o público com uma conferência sobre os usos da língua portuguesa e as diversas nuances e particularidades de interpretação de textos poéticos.

Entrevistado pela jornalista Mona Dorf, Pasquale abriu a conferência com a música de Caetano Veloso, “Língua”, um pequeno tratado sobre a língua portuguesa. “Toda discussão da língua é, em si, uma meta debate que inclui as possibilidades e impossibilidades de realizar-se. Muitos já questionam se ainda falamos português ou já podemos dizer que somos falantes e viventes de uma língua ‘brasileira’. Não entendo assim, mas…questões teóricas à parte, o que se pode dizer é que a língua é sempre viva e deve ser celebrada por aquilo que ela manifesta: a cultura, a música, a arte, o pensamento e todas as subjetividades e objetividades”, disse ele.

A canção começa, não por acaso, com a palavra “gosto”, que pode remeter também ao gostar no sentido comum, de ter preferência por algo, como também do sentido do paladar. “Gostar de roçar a língua de Luís de Camões é quase uma celebração do encontro das duas pontas de nossa língua: a falada pelo poeta português escritor de ‘Os Lusíadas’, com aquilo que se tem de mais contemporâneo: a música popular e a língua do rap”, falou ele. Na canção, Caetano canta junto com Elza Soares, variando ritmos e conjunções poéticas.

Para além da análise da língua, Cipro Neto entrou no campo da política e foi taxativo ao dizer que os defensores da ditadura não sabem o que estão falando.  “Todos esses que empunham
cartazes defendendo a volta da ditadura devem estar acometidos de alguma doença”, finalizou sob palmas dos presentes.

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