“Bacanal”, um poema de Manuel Bandeira

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Quero beber! Cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco…
Evoé Baco!

Lá se me parte a alma levada
No torvelim da mascarada,
A gargalhar em doudo assomo…
Evoé Momo!

Lacem-na toda, multicores,
As serpentinas dos amores,
Cobras de lívidos venenos…
Evoé Vênus!

Se perguntarem: Que mais queres,
Além de versos e mulheres?…
Vinhos!… o vinho que é o meu fraco!…

O alfanje rútilo da lua
Por degolar a nuca nua
Que me alucina e que eu não domo!
Evoé Momo!

A Lira etérea, a grande Lira!…
Por que eu extático desfira
Em seu louvor versos obscenos
Evoé Vênus!

BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1974.

 

Imagem: Carybé  (Hector Julio Páride Bernabó. Carybé)  gravador, desenhista, ilustrador, ceramista, escultor, muralista, pesquisador, historiador e jornalista.

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