Brasil e Portugal, unidos

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A conferência “Portugal e Brasil: o que nos une, o que nos afasta”, com a participação de Miguel Sousa Tavares e Mário Prata,  tinha todos os ingredientes para ser um bate-papo, no mínimo, beligerante. De um lado, um escritor dono de frases polêmicas e completamente avesso ao acordo ortográfico que virá unir as terras de língua portuguesa em único uso da gramática, do outro um jornalista pouco convencional e, morador tanto do Brasil, quanto de Portugal, amante da pluralidade da língua e dono de livros para lá de interessantes.

“O novo acordo ortográfico é fruto de portugueses desocupados que inventivamente querem assassinar a nossa língua com padronizações que vão acabar com os regionalismos necessários à identidade de cada um dos falantes”, disse um indignado Miguel Sousa Tavares, sobre a adesão de Portugal ao acordo que nem Angola e Moçambique assinaram.

As frases mordazes se converteram em bom mocismo, fazendo com que a plateia fosse ao deleite com os conferencistas. Mário iniciou a sessão falando de palavras com significado diverso entre Brasil e Portugal. Bicha, rapariga, ementa e por aí vai, Prata lançou uma miríade de anedotas que acabou por unir o representante dos fundadores da língua, Miguel Sousa Tavares, com o representante mais dileto dos maiores usuários, o Brasil.

“São 250 milhões falantes do português em todo mundo, não podemos nos render a um uso único, impedindo que a língua se transforme. É preciso que o português ceda aos estrangeirismos para se transformar e revisitar-se”, disse Mário Prata que, após a sessão lançou e autografou “Entrevistando uns brasileiros”, livro em que conversa com ilustres tupiniquins que já não estão nesse mundo como, D. Pedro II, D. Maria I, D. Pedro I, Pedro Álvares Cabral, entre tantos outros.

A surpresa ficou por conta de Sousa Tavares ao falar sobre a vinda de D. João VI para o Brasil. “Ele cometeu o maior erro ao voltar para Lisboa. Portugal foi a única nação a conseguir um feito de mudar de capital sem destronar seus monarcas. D. João deveria ter ficado no Brasil fundando um império tríplice, vinculando Portugal, Angola e Brasil em um único Estado”, finalizou.

No início da sessão, uma homenagem aos franceses vítimas do atentado da última sexta-feira, 13, foi realizada com um minuto de silêncio.

FOTOS DANILO GALVÃO

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