Fados brasileiros: Vinícius de Moraes, Chico Buarque e Ribeiro Couto

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Se os brasileiros devem muito do seu samba aos africanos, os portugueses devem um pouco do seu fado aos brasileiros. De vez em quando os compositores da terra encontrada por Pedr’álvares Cabral em 1500 também compõem fados, e dos melhores. Como Vinicius de Moraes:

 

Outro, muito conhecido, é o “Fado Tropical”, de Chico Buarque:

 

O poeta Ribeiro Couto também escreveu um fado, na verdade um “Fadinho Orgulhoso”, este:

Caprichos da geografia
Nosso estranho litoral:
Onde o Brasil principia
Não acaba Portugal.

Terra antiga e terra moça,
Juntas na separação;
Quando cantam, quem as ouça
Não dirá que longe estão.

Ó país que eu em menino
Via de longe crescer,
Quem te chama pequenino
Não tem olhos para ver.

Este mar também é terra
Legada por nossos pais:
Quem souber contar não erra,
Conte estas léguas a mais.
E também um “Fado de Maria Serrana”, este:

Se a memória não me engana,
Pediste-me um fado triste:
Triste Maria Serrana,
Por que tal fado pediste?

Na serra, a fonte e as ovelhas
Eram só os teus cuidados;
Tinhas as faces vermelhas,
Hoje tens lábios pintados.

Hoje de rica tens fama
E toda a cidade é tua;
Tens um homem que te chama
Ao canto de cada rua.

Mas ai! pudesses de novo
Tornar à serra, Maria!
Se não te perdoasse o povo,
A serra te perdoaria.

Lá te espera o mesmo monte,
E a casa junto ao caminho,
E a água da mesma fonte
Que diz teu nome baixinho.

Secos teus olhos de mágoa,
Se não tivessem mais pranto,
Choraria aquela água
Que já por ti chorou tanto.

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